Precisamos falar do puerpério

Hoje quero que você sente aqui, sendo você mãe, pai, ou qualquer parte da rede de apoio de uma mãe recente: a gente precisa falar sobre o puerpério.

Provavelmente se você caiu nesse texto de paraquedas (e não porque segue a nossa página o que, por acaso, deveria, é só curtir ali do lado, viu?) já tá cansada(o) de ler sobre o assunto. Vou chutar que ou você é uma gravidinha se preparando ou uma mãe recente. Ou então alguém que faz parte da rede dessa gravidinha ou mãe e recebeu esse link como um toque carinhoso.

Provavelmente, então, você já saiba o que é o puerpério.

Resumindo bem longe dos termos médicos, puerpério é o período pós parto, que a gente não deveria mensurar em dias, já que cada mulher tem seu tempo e ritmo próprios, onde tudo é difícil pra caramba, as pessoas em geral são inconvenientes pra caramba e tudo o que você mais quer é um banho gostoso e dormir – claro que essa parte pode variar de mulher pra mulher, algumas podem querer ir no salão se arrumar enquanto outras querem atualizar suas séries no netflix e, outras como eu, só queriam um tempo no computador de novo.

E o que há de especial no puerpério?

Nada. Absolutamente nada. O puerpério é um momento cheio de confusão. Você ama sua cria mas adoraria 2h sem que ela chorasse num cochilo e que nessas 2h alguém pudesse arrumar sua casa e te fazer comida pra você dormir também. Você ama aquele rostinho redondo e as dobrinhas da coxa, mas cada choro inconsolável você quer se trancar no banheiro, se encolher num canto e esperar que alguém lide com isso por você.

De fato, numa dessas crises de choro inconsolável durante o primeiro mês, o marido achou que eu tinha fugido só porque sai do quarto enquanto ela chorava pra lavar a chupeta – que tentei dar num momento de desespero mas ela sabiamente não aceitou. Pra você ver, o pai acaba tão desorientado quanto a mãe às vezes, levando em conta que isso aconteceu as 3 da manhã e eu só poderia ter fugido de pijama, chinelo e a pé se fosse o caso… Hahahaha

E porque a gente fala tanto do puerpério?

A gente fala né? A verdade é que, principalmente nessa fase, a gente adora um texto sobre essa fase inicial da maternidade. Aqueles bem clichês e cheios dos dilemas, que diz que você é mãe independente do parto, de amamentar. Que mãe é quem sofre, que mãe é guerreira, que mãe é quem acorda… Como se a gente não soubesse disso já né? Como se, provavelmente, quem escreveu esse texto não fosse alguém que não passou por isso e, portanto, tenta resumir em paradoxos e palavras ralas o que de fato sentimos.

Mas a gente gosta.

Claro que a gente gosta! A gente passou 9 meses + um trabalho de parto, que modifica totalmente nosso corpo e nossa mente. Muitas de nós amamentamos e, mesmo quando não podemos e damos a famigerada fórmula, é um ato de total altruísmo. A gente passa a noite acordada pra alimentar a nossa cria, a gente não dorme, não faz xixi, não come direito. E a gente cria. É cria porque literalmente criamos. A gente criou, lá trás, na barriga. De um monte de células o nosso corpo cria um bebê. E a gente cria com apego. Com cheirinho no pescoço, com cama compartilhada, com livre demanda, com um monte de termos que a gente nem sabia que existia há tempos atrás.

E daí, mesmo com tudo isso, a maioria de nós não tem alguém que se ofereça pra pegar o bebê enquanto bebemos uma água. Pra lavar a louça enquanto damos o mamá. Pra olhar o bebê enquanto cochilamos. Quem dirá pra dar um tapinha nas costas e reconhecer todo o sacrifício que fazemos em prol de ser mãe. Então é claro que amamos um texto.

No fim, a gente sabe que a gente é incrível.

Claro que de vez em quando a gente dúvida da gente mesmo. Principalmente quando surgem as pessoas inconvenientes que citei. Sempre vai ter alguém pra dizer, se vc amamenta, que o leite não tá sustentando, se você dá fórmula que você deveria dar o peito, que você deveria dar um chá, que o bebê ta com fome, com sono, com dor, que você não deveria tá comendo chocolate, que o filho da tia do vizinho nessa idade já tava na escolinha fazendo conta de matemática… Enfim! Gente pra atrapalhar é sempre o que mais tem. E nem sempre a gente tá com a confiança pra acreditar na gente. Às vezes a gente é pega de surpresa num dia ruim e tenta fazer algo que não condiz com o que imaginávamos – dá uma mamadeira, uma chupeta, um chá, deixa o bebê chorar – e nos sentimos péssimas mães por isso.

A verdade é que todos querem palpitar mas poucos querem ajudar. E mais poucos ainda querem reconhecer que você tá fazendo um bom trabalho, seja lá o que você tiver fazendo!

Ai, mas a minha mulher/amiga/mãe/filha já tá ficando chata me marcando nesses textos sobre puerpério!

Você já disse pra ela hoje o quanto ela é demais por tá passando por tudo isso, enquanto faz uma massagem no pé dela?

Só uma dica. Talvez assim ela pare de te marcar em todos os textos. ❤

Mariana Maneira

Mariana Maneira

Nascida em pleno verão de Janeiro de '89, em Santos. Mãe da Luna, nascida no fim do inverno, em Setembro de '16, em São Paulo. Amo a praia e o caos da cidade. Sou formada em produção multimídia, trabalhando como webdesigner, costurando nas horas vagas. Provavelmente escrevi esse post do celular, enquanto a Luna dormia ou mamava.
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